Claudia Amorim

Entrevista sobre Iluminação Natural com a arquiteta Claudia Amorim

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Entrevista sobre Iluminação Natural com a arquiteta Claudia Amorim

Claudia é arquiteta formada pela Universidade de Brasília, possui especializações na área de Restauro, Tecnologia da Arquitetura e Engenharia Ambiental na Itália (Politécnico di Torino), mestrado em Arquitetura na Universidade de Brasília (área de concentração Conforto Térmico e Simulação Computacional) e Doutorado na Università La Sapienza di Roma (tese com área de concentração em Luz Natural e Eficiência Energética desenvolvida no Politécnico di Milano - Itália).
É professora e pesquisadora da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Brasília (graduação e pós graduação), membro da IBPSA- Brasil (Associação Nacional para Simulação de Desempenho de Edificações), membro da ANTAC (Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído) e Coordenadora da área de Luz Natural do CIE Brasil (Comissão Internacional de Iluminação), e Consultora adHoc do CNPq. Atualmente coordena o grupo de pesquisa da UnB/CNPq "Qualidade Ambiental no Espaço Construído”, realizando atividades de consultoria, projeto e pesquisas.


1- Quais as tendências atuais em projetos de iluminação natural?
[Claudia Amorim] Na verdade, talvez melhor do que falar em "tendências" seja falar em "soluções corretas". Estas independem de tendências e dependem exclusivamente da relação da arquitetura com o clima. Claro, hoje realmente a tendência é usar mais luz natural nos ambientes, onde for possível, por uma questão de saúde, qualidade do ambiente, economia energética, etc. Então, neste sentido, ao se usar a luz natural, deve-se entender as necessidades do clima local, e conjugar o projeto das aberturas e entradas de luz natural a este. É importante dosar o tamanho das aberturas, protegê-las da entrada de radiação solar direta em alguns momentos (na maioria das localidades brasileiras, isto é necessário quase o tempo todo), incluir elementos para distribuir melhor a luz natural, integrá-la com a luz artificial (no sentido de harmonizar a temperatura de cor, a iluminância, etc). Isto são as soluções mais corretas, então deveriam tornar-se neste momento as tendências. 2 - Quais as tendências nos projetos hospitalares?
[Claudia Amorim] A arquitetura hospitalar vem tomando rumos novos, pela transformação dos próprios serviços. Hoje um hospital deve oferecer um ambiente em que o paciente se sinta em uma espécie de "hotel de cura", ou seja, um ambiente agradável, onde se sinta relaxado. Neste sentido, o retorno da luz natural torna-se elemento importante, desde que seguidos os preceitos de dosar e controlar a luz conforme o clima local e também conforme o ambiente onde se pretende utiliza-la. No caso de hospitais, isto pode gerar uma certa complexidade do projeto, pois ambientes como enfermarias, internação e quartos precisam de luz natural, mas precisam de controle, devido às diferentes necessidades destes ambientes. O projeto que utiliza de forma correta a luz natural deve ser muito bem detalhado e prever as diversas situações que ali ocorrem.

3 - Fale um pouco mais sobre Eficiência energética e o uso de fontes alternativas.
[Claudia Amorim] A eficiência energética parte do princípio de que um equipamento ou edifício eficiente energeticamente deve oferecer um determinado serviço, com a mesma qualidade, e com menor consumo de energia. Isto pressupõe um cuidado ao projetar este edifício, prevendo todas as maneiras de economizar energia sem penalizar a qualidade ambiental, ligada às questões de conforto ambiental e qualidade do ar. As fontes alternativas de energia, como solar fotovoltaica, eólica, biomassa, etc, auxiliam no sentido de buscar fontes de geração de energia menos poluentes, menos impactantes para o meio ambiente. Ainda temos muito a percorrer, não somente o Brasil, mas o mundo todo, para aumentar a presença destas fontes alternativas na nossa matriz energética.

4 - Qual a integração entre iluminação natural e artificial?
[Claudia Amorim] A integração que deve ocorrer entre iluminação natural e artificial pressupõe um estudo do comportamento da luz natural no ambiente projetado, em termos de quantidade, qualidade e sazonalidade, para que estes dados sejam utilizados no projeto de iluminação artificial. Ou seja, o projetista luminotécnico, no sentido mais amplo da palavra, deveria conhecer primeiro o comportamento da luz natural para então projetar o sistema de luz artificial, em função das necessidades de COMPLEMENTAÇÃO da luz natural nos momentos em que esta não for suficiente e SUBSTITUIÇÃO nos momentos em que esta não estiver presente. Este projeto luminotécnico deverá então definir o sistema pensando na distribuição dos equipamentos, na distribuição dos circuitos de acendimento, na escolha de lâmpadas com temperatura de cor adequada a esta integração, etc.

5 - Explique a combinação de fontes geradoras num projeto de Sustentabilidade.
[Claudia Amorim] A combinação de várias fontes de geração de energia em um projeto deve ser estudada em função do contexto local e da disponibilidade financeira. É interessante, sim, como alternativa, substituir parte do fornecimento da energia elétrica da rede com fotovoltaico ou energia eólica, por exmeplo, mas deve-se estudar a condição local. Por exemplo, em localidades com boa disponibilidade de radiação solar, edifícios com boa área de cobertura para instalação de painéis fotovoltaicos, esta pode ser uma alternativa interessante. Mas não necessariamente o que é bom para um contexto o será para o outro, e é por isso que as soluções sustentáveis devem ser absolutamente locais, individualizadas e “personalizadas”.

6 - Existem Projetos industriais para a utilização de luz natural?
[Claudia Amorim] Já existem produtos industrializados para condução e transporte de luz, especialmente para locais sem acesso direto à luz natural, muito interessantes. Também há os brises industrializados, elementos para serem colocados externamente às aberturas, e que controlam o calor e a luz. Há ainda no mercado telas e membranas que atuam também no controle da luminosidade, colocadas externamente às aberturas.

7 - Fale um pouco sobre tecnologias passivas para o conforto ambiental. Como ventilação noturna combinada ao resfriamento mecânico, telhado vivo, iluminação natural, materiais e sistemas inovadores para aproveitamento da luz natural.
[Claudia Amorim] Hoje fala-se muito em tecnologias ou soluções passivas, ou seja, aquelas que não utilizam energia para seu funcionamento. Geralmente estas soluções são o próprio projeto arquitetônico da edificação, já pensado desde o início para atender da melhor maneira as necessidades específicas daquele clima. Como isto nem sempre é possível realizar de maneira completamente passiva, principalmente em edificações comerciais ou de serviços, devido às exigências de controle ambiental e as altas cargas térmicas internas, utilizam-se soluções híbridas, ou seja, combinadas

8 - Energia eólica é uma saída para os gastos exorbitantes com energia?
[Claudia Amorim] Depende da localidade, da disponibilidade de ventos, das tecnologias empregadas. Não há uma resposta igual para todos os contextos. Pode ser uma alternativa para alguns, mas não para todos.

9 - Em sua opinião, Iluminação natural é a solução para se ter ambientes saudáveis e sustentáveis.
[Claudia Amorim] A iluminação natural é uma excelente alternativa para contribuir com a sustentabilidade nos ambientes, desde que seja tratada de forma correta no projeto. Já estão comprovados os benefícios em ambientes internos com disponibilidade de luz natural e visão do exterior; esta condição propicia maior qualidade ambiental, mais saúde para os usuários, menor absenteísmo em locais de trabalho. Em vários países as normas de projeto já incluem a obrigatoriedade de uma determinada quantidade de luz natural e visão para o exterior em ambientes de trabalho, por se saber que isto é fundamental para o ser humano.

 
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